Mecânica Ventilatória

PNEUMOLAB Mecânica ventilatória

Lei de Laplace · surfactante · histerese

Raio do alvéolo A150 µm
Raio do alvéolo B90 µm

No pulmão real eles compartilham a mesma via aérea. Se as pressões diferem, o ar migra.

Surfactante100%

Em zero, a superfície é água pura, com 70 dyn/cm. Em cem, a tensão acompanha o tamanho do alvéolo.

Rigidez do tecido3,0

Alta na fibrose, baixa no enfisema. Age sobre a curva pressão-volume, não sobre a tensão superficial.

Fundo
Pressão A —
Pressão B —
Diferença —
Tensão em A —
Complacência —
Trabalho —
Escolha um caso ou ajuste os controles.

Roteiro de prática

Por que o alvéolo pequeno não colapsa

Quatro experimentos guiados. Ao final você deve conseguir explicar, com números, por que um recém-nascido prematuro tem dificuldade em respirar e por que a administração de surfactante mudou a sobrevida desses bebês.

Duração estimada: 45 minutos  ·  Pré-requisitos: tensão superficial, complacência, volumes pulmonares

Antes de começar: uma equação com um problema embutido +

A superfície interna do alvéolo é úmida, e água em contato com ar cria tensão superficial. Essa tensão puxa a parede para dentro, gerando uma pressão que tende a fechar o alvéolo. A lei de Laplace calcula essa pressão.

Pressão = 2 × Tensão ÷ raio

Repare no problema: o raio está no denominador. Quanto menor o alvéolo, maior a pressão de colapso. Se a tensão fosse a mesma em todos, os alvéolos pequenos esvaziariam dentro dos grandes e o pulmão viraria um punhado de bolhas gigantes.

No simulador, a espessura da parede desenhada representa a tensão superficial. Observe como ela muda quando você mexe no surfactante.

01 O problema que Laplace cria +

Hipótese a testar

Alvéolos maiores precisam de mais pressão para se manter abertos, porque têm mais parede. Verdadeiro ou falso?

Procedimento

  1. Zere o surfactante e desmarque a conexão entre os alvéolos.
  2. Deixe os dois com o mesmo raio de 150 µm e anote as pressões. São iguais?
  3. Reduza o alvéolo B para 100, depois 60, depois 30 µm, anotando a pressão a cada passo.
  4. Calcule à mão a pressão do alvéolo de 30 µm usando a equação e confira com o simulador.

Registro

Raio de B Tensão Pressão em B Diferença para A
150 µm
100 µm
60 µm
30 µm

Para responder

  1. Reduzir o raio pela metade multiplicou a pressão por quanto? Isso confere com a equação?
  2. A hipótese inicial estava certa ou errada? Reescreva-a corretamente.
  3. Se um pulmão tem alvéolos de tamanhos variados e todos com a mesma tensão superficial, o que aconteceria com o tempo?
02 O colapso acontecendo +

Contexto clínico

O surfactante começa a ser produzido por volta da vigésima quarta semana de gestação, e só atinge quantidade adequada perto da trigésima quinta. É esse o problema do prematuro.

Procedimento

  1. Clique em Prematuro. Observe a seta entre os alvéolos e leia o veredito.
  2. Anote as pressões, a diferença entre elas e a complacência.
  3. Agora arraste o surfactante lentamente de 8% até 100%, acompanhando a seta e a diferença de pressão.
  4. Anote o valor de surfactante em que a seta desaparece.

Registro

Surfactante Pressão A Pressão B Diferença Complacência
8%
30%
60%
100%

Para responder

  1. Como o surfactante consegue igualar as pressões, se os alvéolos continuam de tamanhos diferentes? Olhe o valor da tensão em cada um.
  2. Por que o surfactante reduz mais a tensão no alvéolo pequeno do que no grande? Pense na concentração das moléculas por área de superfície.
  3. Além de evitar o colapso, o que aconteceu com a complacência quando o surfactante subiu? E com o trabalho respiratório?
  4. Por que a administração de corticoide à gestante antes de um parto prematuro melhora o desfecho do bebê?
03 A histerese e o custo de respirar +

Pergunta central

Por que a curva da inspiração não coincide com a da expiração, se é o mesmo pulmão?

Procedimento

  1. Com surfactante em 100%, observe a distância entre os dois ramos da curva pressão-volume.
  2. Reduza o surfactante para 50% e depois para zero, acompanhando a área sombreada entre os ramos.
  3. Anote o trabalho inspiratório em cada valor.
  4. Volte o surfactante para 100% e agora aumente a rigidez do tecido de 3 para 9. Compare o efeito.

Registro

Condição Complacência Trabalho Área entre os ramos
Surfactante 100%
Surfactante 50%
Surfactante 0%
Rigidez 9, surfactante 100%

Para responder

  1. Por que a inspiração custa mais que a expiração? O que precisa ser vencido só na entrada?
  2. Sem surfactante, a histerese aumentou ou diminuiu? Explique com base na tensão superficial.
  3. Reduzir o surfactante e aumentar a rigidez do tecido produzem o mesmo efeito sobre a curva? Descreva a diferença.
  4. Relacione com o simulador de ventilação mecânica: qual dessas duas alterações mudaria a pressão de platô, e qual mudaria também a forma da alça?
04 Quatro doenças, quatro mecânicas +

Hipótese a testar

Complacência alta é sempre melhor que complacência baixa. Verdadeiro ou falso?

Procedimento

  1. Percorra os cinco casos, anotando complacência e trabalho em cada um.
  2. Compare especialmente Fibrose e Enfisema: os dois extremos.
  3. No enfisema, observe o tamanho dos alvéolos e a inclinação da curva.
  4. Compare a SDRA com o prematuro: onde está a semelhança e onde está a diferença?

Registro

Caso Complacência Trabalho Mecanismo dominante
Normal
Prematuro
SDRA
Fibrose
Enfisema

Para responder

  1. O enfisema tem a maior complacência de todos. Por que isso não é bom? Pense no que faz o ar sair do pulmão.
  2. Na fibrose, a dificuldade é encher. No enfisema, é esvaziar. Explique cada uma em termos de energia elástica armazenada.
  3. A SDRA e o prematuro têm em comum a falta de surfactante, mas a SDRA também tem tecido rígido. Como isso muda a conduta ventilatória?
  4. Reescreva corretamente a hipótese inicial.
Síntese: o que levar desta prática +

Explique, em um parágrafo e citando pelo menos três números que você mediu, por que a descoberta do surfactante e sua administração aos prematuros é considerada um dos avanços mais importantes da neonatologia. Depois faça o caminho inverso: descreva o que aconteceria em um pulmão adulto que perdesse todo o surfactante de uma vez.

Para ir além

Este modelo trata cada alvéolo isoladamente, mas no pulmão real eles são vizinhos e compartilham paredes. Investigue o conceito de interdependência alveolar, e por que um alvéolo que começa a colapsar é puxado de volta pelos vizinhos. Esse mecanismo é a segunda defesa contra a atelectasia, e é o que a PEEP explora na ventilação mecânica.