Ventilação Mecânica
PNEUMOLAB Ventilação mecânica
Equação do movimento respiratório · tempo real
A pausa zera o fluxo e revela a pressão de platô, que mede complacência.
Baixa na SDRA e na fibrose. Eleva o platô.
Alta na asma e na DPOC. Eleva o pico, mas não o platô.
Alça pressão-volume, na orientação usada no ventilador. A inclinação é a complacência (mais deitada significa pulmão mais rígido). A área entre os ramos é o trabalho gasto contra a resistência.
Roteiro de prática
Ler as curvas do ventilador
Cinco experimentos guiados. Ao final você deve conseguir olhar para um monitor de ventilação e dizer, sem hesitar, se o problema é de resistência, de complacência ou de tempo expiratório.
Duração estimada: 60 minutos · Pré-requisitos: mecânica ventilatória, complacência e resistência das vias aéreas
Antes de começar: a equação que gera tudo +
As três curvas do monitor não são desenhadas: elas saem de uma equação só, a equação do movimento respiratório. A pressão nas vias aéreas é a soma de três parcelas: a PEEP, o que se gasta para vencer a resistência (fluxo multiplicado pela resistência) e o que se gasta para distender o pulmão (volume dividido pela complacência).
Pressão = PEEP + (Fluxo × Resistência) + (Volume ÷ Complacência)
A consequência prática é o coração desta prática: a parcela resistiva depende do fluxo, e a parcela elástica depende do volume. Se você zerar o fluxo no fim da inspiração (a pausa inspiratória), a parcela resistiva desaparece e sobra apenas a elástica. É por isso que a pausa separa as duas informações.
Antes de cada experimento, clique no cenário indicado para partir sempre das mesmas condições.
01 O que a pausa revela +
Hipótese a testar
A pressão de pico mede o esforço total para insuflar o pulmão. Se ela subir, o pulmão está mais rígido. Verdadeiro ou falso?
Procedimento
- Clique em Pulmão normal e observe a curva de pressão por alguns ciclos.
- Desmarque a pausa inspiratória. Repare que o degrau some da curva.
- Marque a pausa de novo. Identifique na curva: o degrau inicial, a rampa, o pico e o platô.
- Anote pico e platô. Calcule a diferença entre eles e a diferença entre platô e PEEP.
- Aumente o fluxo inspiratório de 40 para 80 L/min, sem mexer em mais nada. Anote de novo.
Registro
| Fluxo | Pico | Platô | Pico menos platô | Platô menos PEEP |
|---|---|---|---|---|
| 40 L/min | ||||
| 80 L/min |
Para responder
- Ao dobrar o fluxo, qual das duas medidas mudou: a diferença entre pico e platô, ou a diferença entre platô e PEEP? Por quê?
- O pulmão ficou mais rígido quando você aumentou o fluxo? A pressão de pico serve para responder isso?
- Escreva com suas palavras: o que cada uma das duas diferenças está medindo?
02 Pulmão rígido: a SDRA +
Contexto clínico
Na síndrome do desconforto respiratório agudo, o pulmão perde complacência: fica rígido e com menos alvéolos disponíveis. A pressão de distensão (platô menos PEEP) acima de 15 cmH2O associa-se a pior desfecho.
Procedimento
- Clique em Pulmão normal e anote as medidas de referência.
- Reduza a complacência de 50 para 25 mL/cmH2O, sem mexer em mais nada.
- Anote pico, platô, pressão de distensão e a forma da alça pressão-volume.
- Agora reduza o volume corrente de 500 para 350 mL e anote de novo.
- Compare a inclinação da alça nos três momentos.
Registro
| Condição | Pico | Platô | P. distensão | Volume minuto |
|---|---|---|---|---|
| Normal | ||||
| Complacência 25 | ||||
| Complacência 25, Vt 350 |
Para responder
- Quando a complacência caiu, o pico e o platô subiram juntos ou separados? Compare com o que você viu no experimento 1.
- A alça pressão-volume ficou mais deitada ou mais em pé? O que a inclinação representa?
- Reduzir o volume corrente resolveu a pressão de distensão. Que preço fisiológico esse ajuste tem? Olhe o volume minuto.
- Se você precisasse manter o volume minuto, que outro parâmetro teria de mexer? Faça o teste e veja o que acontece.
03 Vias aéreas estreitas: asma e DPOC +
Hipótese a testar
Se a pressão de pico está muito alta, o paciente corre risco de lesão pulmonar e o volume corrente deve ser reduzido. Verdadeiro ou falso?
Procedimento
- Volte ao Pulmão normal.
- Aumente apenas a resistência, de 8 para 25 cmH2O/L/s.
- Anote pico, platô e a diferença entre eles.
- Observe a curva de fluxo na expiração: compare a velocidade de retorno ao zero com a do pulmão normal.
- Compare a alça pressão-volume com a do experimento 2. A forma é a mesma?
Registro
| Condição | Pico | Platô | Pico menos platô | P. distensão |
|---|---|---|---|---|
| Normal | ||||
| Resistência 25 | ||||
| SDRA (do exp. 2) |
Para responder
- Dois pacientes chegam com pressão de pico de 32 cmH2O. Um tem platô de 16, o outro tem platô de 28. Como você diferencia os diagnósticos? E as condutas seriam iguais?
- No caso de resistência alta, o parênquima pulmonar está sendo submetido a pressão perigosa? Justifique com o número que importa.
- A pressão de pico é um bom parâmetro de segurança pulmonar? Responda com base nos seus dados.
- Que intervenções clínicas reduziriam a resistência de fato, em vez de mascarar o número no monitor?
04 Quando falta tempo para expirar +
Pergunta central
O paciente está hipercápnico. O reflexo é aumentar a frequência respiratória para eliminar mais gás carbônico. Em que situação isso piora tudo?
Procedimento
- Clique em DPOC / asma.
- Calcule a constante de tempo do sistema: multiplique a resistência pela complacência (lembre de converter a complacência de mL para L, dividindo por mil). Anote em segundos.
- Baixe a frequência para 10 irpm e observe a curva de volume: ela volta ao zero antes do próximo ciclo?
- Suba a frequência de 5 em 5 até 30 irpm. Anote a partir de que valor aparece auto-PEEP.
- Fixe a frequência em 25 e agora aumente o fluxo inspiratório para 80 L/min. Observe o que acontece com o auto-PEEP.
Registro
| Frequência | Auto-PEEP | PEEP total | Volume voltou a zero? |
|---|---|---|---|
| 10 irpm | |||
| 15 irpm | |||
| 20 irpm | |||
| 25 irpm | |||
| 30 irpm | |||
| 25 irpm, fluxo 80 |
Para responder
- Qual foi a constante de tempo que você calculou? Quantos segundos de expiração seriam necessários (use três constantes como referência)?
- A que frequência o tempo expiratório disponível ficou menor que esse valor? Confere com a frequência em que o auto-PEEP apareceu?
- Por que aumentar o fluxo inspiratório reduziu o auto-PEEP, se o fluxo é um ajuste da inspiração?
- O auto-PEEP aumenta a pressão intratorácica. Que consequência isso traz para o retorno venoso e para a pressão arterial? Relacione com o simulador de barorreflexo do CardioLab.
- Um paciente asmático grave, hipercápnico, está em ventilação com frequência de 28. O plantonista quer subir para 34. O que você argumentaria?
05 Volume ou pressão: quem manda no quê +
Hipótese a testar
Nos dois modos, o ventilador garante o volume corrente ajustado. A diferença entre eles é apenas a forma da curva. Verdadeiro ou falso?
Procedimento
- Comece no Pulmão normal, modo controlado a volume. Anote o volume corrente medido.
- Troque para controlado a pressão e ajuste a pressão inspiratória até obter aproximadamente o mesmo volume.
- Compare as curvas de pressão e de fluxo entre os dois modos. Descreva a diferença.
- Sem mexer em mais nada, reduza a complacência para 25. Anote o volume corrente medido.
- Volte ao modo controlado a volume com a mesma complacência de 25 e anote o volume medido.
Registro
| Modo e complacência | Volume medido | Pico | Forma do fluxo inspiratório |
|---|---|---|---|
| Volume, C 50 | |||
| Pressão, C 50 | |||
| Pressão, C 25 | |||
| Volume, C 25 |
Para responder
- No modo controlado a volume, o que é fixo e o que varia quando a mecânica piora? E no controlado a pressão?
- Qual dos dois modos protege melhor contra pressão excessiva? Qual garante melhor a ventilação minuto?
- O fluxo inspiratório tem forma quadrada num modo e decrescente no outro. Por que essa diferença surge da equação do movimento?
- Um paciente em modo controlado a pressão evolui com queda progressiva do volume corrente ao longo do plantão, sem que ninguém tenha mexido no aparelho. O que isso indica?
Síntese: o que levar desta prática +
Escreva um roteiro de três passos que você seguiria diante de qualquer monitor de ventilação para localizar o problema. Cada passo deve indicar: que número olhar, que pergunta ele responde e o que fazer com a resposta.
Para ir além
O simulador atual mostra apenas mecânica. Um paciente real também tem saturação, gás carbônico e pH, que respondem em escalas de tempo diferentes: a curva muda em segundos, a gasometria em minutos, a compensação renal em horas. Pense em como cada ajuste que você fez nesta prática afetaria essas três variáveis, e em quais deles criariam um conflito entre proteger o pulmão e ventilar o paciente.
