Gasometria e Equilíbrio Ácido-Base

pHLAB Gasometria e equilíbrio ácido-base

Diagrama de Davenport · interpretação em quatro passos

Gravidade do distúrbio0%
Compensação (tempo)agudo

É aqui que a compensação acontece. A respiratória leva minutos; a renal leva de dois a cinco dias. Escolha um distúrbio, dê gravidade a ele, e então arraste este controle para ver o ponto caminhar.

Sódio140 mEq/L
Cloro104 mEq/L
Albumina4,0 g/dL

Albumina baixa mascara o ânion gap. Cada 1 g/dL abaixo de 4 subestima o gap em cerca de 2,5.

Fundo

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pH
PaCO₂
HCO₃⁻
Base excess
Ânion gap
AG corrigido

Interpretação passo a passo

01

02

03

04

Roteiro de prática

Ler uma gasometria em quatro passos

Quatro experimentos guiados. Ao final você deve conseguir pegar qualquer gasometria, classificar o distúrbio, dizer se a compensação é adequada e reconhecer quando há mais de um distúrbio ao mesmo tempo.

Duração estimada: 60 minutos  ·  Pré-requisitos: tampão bicarbonato, função renal e ventilação alveolar

Antes de começar: como ler o diagrama +

O diagrama de Davenport coloca o pH na horizontal e o bicarbonato na vertical. As linhas amarelas curvas são as isóbaras: cada uma reúne todos os pontos com a mesma PaCO₂.

pH = 6,1 + log ( HCO₃⁻ ÷ (0,03 × PaCO₂) )

A leitura fica geométrica: mover-se ao longo de uma isóbara significa alterar apenas o componente metabólico; saltar de uma isóbara para outra significa alterar o componente respiratório. Compensação aparece como um deslocamento em direção à faixa verde.

O ponto verde marca o normal (pH 7,40 e bicarbonato 24). O ponto vermelho é o paciente.

01 Duas maneiras de acidificar +

Hipótese a testar

Dois pacientes com o mesmo pH de 7,20 têm a mesma gravidade e o mesmo tratamento. Verdadeiro ou falso?

Procedimento

  1. Escolha acidose metabólica, tempo em agudo, e ajuste a gravidade até o pH chegar perto de 7,20. Anote tudo.
  2. Agora escolha acidose respiratória, também aguda, e ajuste até o mesmo pH.
  3. Compare a posição dos dois pontos no diagrama: em que direção cada um saiu do normal?
  4. Compare bicarbonato, PaCO₂ e base excess nas duas situações.

Registro

Distúrbio pH PaCO₂ HCO₃⁻ Base excess
Metabólica
Respiratória

Para responder

  1. No diagrama, o ponto se deslocou para baixo num caso e para o lado no outro. O que cada direção representa?
  2. Qual das duas medidas, base excess ou PaCO₂, permite separar os dois quadros de imediato?
  3. O tratamento de cada um seria o mesmo? Por quê?
  4. Escreva a regra que você usaria no passo 2 de qualquer gasometria: como decidir se o problema é respiratório ou metabólico?
02 O tempo que a compensação leva +

Pergunta central

Dois pacientes com PaCO₂ de 60 mmHg: um está sonolento e grave, o outro caminha pelo corredor. Como a mesma PaCO₂ produz quadros tão diferentes?

Procedimento

  1. Escolha acidose respiratória e ajuste a gravidade até a PaCO₂ chegar perto de 60.
  2. Com o tempo em agudo, anote pH e bicarbonato.
  3. Arraste lentamente o tempo de evolução até crônico, acompanhando o ponto caminhar sobre a isóbara.
  4. Anote pH e bicarbonato nas posições intermediária e crônica.
  5. Depois clique em DPOC crônico e compare.

Registro

Momento pH HCO₃⁻ Base excess
Agudo
Em transição
Crônico

Para responder

  1. Com a mesma PaCO₂, quanto o pH melhorou do agudo para o crônico? Qual órgão foi responsável?
  2. Por que a compensação renal leva dias, enquanto a respiratória leva minutos?
  3. Uma gasometria mostra PaCO₂ 60 e bicarbonato 26. Isso é agudo ou crônico? E se o bicarbonato fosse 33?
  4. Por que dar oxigênio em excesso a um retentor crônico de gás carbônico pode ser perigoso? Relacione com a compensação que você acabou de ver.
  5. A compensação chega a normalizar completamente o pH? O que isso ensina sobre distinguir compensação de correção?
03 O ânion gap separa as causas +

Contexto clínico

Dois pacientes chegam com acidose metabólica e bicarbonato de 12. Um tem cetoacidose diabética, o outro tem diarreia há três dias. A gasometria é quase idêntica.

Procedimento

  1. Clique em Cetoacidose e anote pH, bicarbonato, cloro e ânion gap.
  2. Clique em Diarreia grave e anote os mesmos valores.
  3. Compare: o que difere entre os dois, já que o bicarbonato é parecido?
  4. Volte à cetoacidose e reduza a albumina para 2,0 g/dL. Observe o ânion gap e o corrigido.

Registro

Caso HCO₃⁻ Cloro Ânion gap AG corrigido
Cetoacidose
Diarreia
Cetoacidose, albumina 2,0

Para responder

  1. Na diarreia, o bicarbonato caiu e o cloro subiu. Por que essa troca acontece? Pense em neutralidade elétrica.
  2. Na cetoacidose, o que ocupa o lugar do bicarbonato perdido, já que o cloro não subiu?
  3. Escreva a regra prática: ânion gap alto sugere o quê, e ânion gap normal sugere o quê?
  4. Com albumina de 2,0 g/dL, o ânion gap bruto pareceu normal ou alterado? Que erro clínico isso pode causar num paciente desnutrido ou séptico?
04 Quando há mais de um distúrbio +

Hipótese a testar

Se o pH está muito alterado, o quadro é apenas mais grave. Verdadeiro ou falso?

Procedimento

  1. Clique em Parada cardiorrespiratória. Leia o passo 3 da interpretação.
  2. Anote pH, PaCO₂ e bicarbonato. Compare com a acidose metabólica isolada de gravidade semelhante.
  3. Agora selecione acidose metabólica com gravidade 70% e tempo crônico. Anote a PaCO₂.
  4. Calcule à mão a PaCO₂ esperada pela fórmula de Winter (1,5 vezes o bicarbonato, mais 8) e compare com a medida.
  5. Repita o cálculo para o caso da parada.

Registro

Caso pH HCO₃⁻ PaCO₂ medida PaCO₂ esperada (Winter)
Metabólica compensada
Parada cardiorrespiratória

Para responder

  1. No caso da parada, a PaCO₂ medida ficou acima ou abaixo da esperada? O que isso indica?
  2. Por que o pH cai tanto mais no distúrbio misto do que na acidose metabólica isolada?
  3. Um paciente com acidose metabólica tem PaCO₂ de 40. Isso é normal ou é um sinal de alarme?
  4. Formule a regra geral: como a fórmula de Winter permite descobrir um segundo distúrbio escondido?
Síntese: o que levar desta prática +

Escreva o seu próprio roteiro de quatro passos para interpretar qualquer gasometria. Cada passo deve dizer: que valor olhar, que pergunta ele responde, e o que fazer conforme a resposta. Depois teste o seu roteiro nos sete casos do simulador, sem olhar o painel de interpretação.

Para ir além

O modelo usado aqui é o de Henderson-Hasselbalch, centrado no bicarbonato. Existe uma abordagem alternativa, proposta por Peter Stewart, que trata o pH como consequência de três variáveis independentes: a diferença de íons fortes, os ácidos fracos totais e a PaCO₂. Investigue em que situações clínicas as duas abordagens divergem, e por que a de Stewart explica melhor a acidose que aparece após infusão de grandes volumes de soro fisiológico.