Neurofisiologia

NEURO-LAB PRO Hodgkin-Huxley 1952

Axônio gigante de lula · modelo de condutâncias

Grade
Amplitude15
Duração1,0 ms
Na⁺ (tetrodotoxina) 0%
K⁺ (tetraetilamônio) 0%
Ca²⁺ adicional (tipo L) 0%

Ausente no axônio de lula. Ao adicionar, surge platô, como no miocárdio.

Tau h1,00x
Tau n1,00x
Capacitância (tamanho)1,00
Temperatura (Q₁₀ = 3)6,3 °C

Acima de 25 °C ocorre bloqueio térmico: as portas fecham antes de o disparo se completar.

K⁺ externo 4,0 mM

Normal 3,5 a 5,0 mM. Acima de 6,5 é hipercalemia grave, comum na insuficiência renal.

Na⁺ externo 145 mM

Normal 135 a 145 mM.

E do K⁺ -77 mV
E do Na⁺ +50 mV

Bloquear canal reduz a condutância. Mudar concentração desloca o potencial de equilíbrio, e o repouso vai junto. São mecanismos diferentes.

O traçado é desenhado no tempo do modelo, como num osciloscópio. Em “lento”, os 50 ms da janela levam cerca de 8 segundos: dá para ver o sódio subir antes do potássio. Use “direto” para comparar traçados sobrepostos sem esperar.

Fundo
Traçado

Depois da varredura, passe o cursor sobre o gráfico (ou toque, no celular) para ler potencial, condutâncias e estímulo no mesmo instante.

Potencial de membrana Condutância Na⁺ Condutância K⁺ Estímulo
Pico
dV/dt max
Duração (50%)
gNa max
gK max
Ajuste os parâmetros e clique em Estimular. O potencial de repouso é recalculado a cada simulação, conforme as condutâncias ativas.

Roteiro de prática

O potencial de ação e as correntes iônicas

Quatro experimentos guiados no simulador. Ao final você deve conseguir explicar, com dados próprios, por que o potencial de ação é tudo-ou-nada, qual íon faz cada parte da curva e por que existe um período em que o neurônio não responde.

Duração estimada: 50 minutos  ·  Pré-requisitos: potencial de repouso, difusão e gradiente eletroquímico

Antes de começar: o que você está vendo +

O simulador reproduz o modelo que Alan Hodgkin e Andrew Huxley publicaram em 1952, a partir de registros no axônio gigante de lula — trabalho que lhes rendeu o Nobel. Não é uma animação: as equações são resolvidas a cada disparo.

Painel superior: potencial de membrana em milivolts reais. A linha de base fica em torno de −65 mV, o potencial de repouso.

Painel do meio: as condutâncias de sódio (laranja) e potássio (azul). Condutância é a facilidade com que o íon atravessa a membrana — sobe quando os canais abrem.

Painel inferior: o estímulo aplicado, em microampères por centímetro quadrado.

Antes de cada experimento, clique em Restaurar padrões para partir sempre das mesmas condições.

01 Existe um limiar? +

Hipótese a testar

Se eu aumentar o estímulo gradualmente, a resposta da membrana também aumenta gradualmente. Verdadeiro ou falso?

Procedimento

  1. Restaure os padrões e deixe a duração do estímulo em 1,0 ms.
  2. Baixe a amplitude para 2 µA/cm² e clique em Estimular. Anote o pico.
  3. Ative Sobrepor traçados — assim cada rodada fica visível numa cor.
  4. Repita com 4, 6, 8 e 10 µA/cm², anotando o pico de cada uma.
  5. Continue subindo de 1 em 1 até encontrar o valor exato em que a membrana dispara.

Registro

Amplitude (µA/cm²) Pico (mV) Disparou?
2
4
6
8
10
Limiar encontrado

Para responder

  1. O pico cresceu proporcionalmente à amplitude do estímulo? Descreva o que aconteceu.
  2. Compare o pico do maior estímulo subliminar com o do menor estímulo que disparou. A diferença de amplitude entre os dois estímulos justifica a diferença entre as respostas?
  3. Um estímulo três vezes maior que o limiar produz um potencial de ação três vezes maior? Teste e explique.
02 Quem faz a subida: o sódio +

Contexto clínico

A tetrodotoxina, presente no baiacu, bloqueia canais de sódio dependentes de voltagem. A lidocaína, anestésico local, age no mesmo canal. O que você vai simular aqui é o que acontece no nervo sob anestesia.

Procedimento

  1. Restaure os padrões e mantenha Sobrepor traçados ativo.
  2. Dispare uma vez sem bloqueio nenhum. Esse é o controle.
  3. Aumente o bloqueio de Na⁺ para 25% e dispare. Depois 50%, 75% e 90%.
  4. Observe as duas coisas ao mesmo tempo: a curva de cima e a condutância laranja embaixo.

Registro

Bloqueio Na⁺ Pico (mV) dV/dt (mV/ms) gNa máx
0% (controle)
25%
50%
75%
90%

Para responder

  1. Qual foi a primeira medida a se alterar: o pico ou a velocidade de subida?
  2. A partir de que percentual de bloqueio o potencial de ação deixou de ocorrer?
  3. Com 50% de bloqueio, o disparo ainda acontece se você aumentar o estímulo? Teste. O que isso diz sobre o limiar sob anestesia?
  4. Um paciente recebe anestesia local e relata que ainda sente pressão, mas não dor. Relacione com o que você observou.
03 Quem faz a descida: o potássio +

Hipótese a testar

Se o sódio é responsável pela despolarização, o potássio deve ser responsável pela volta ao repouso. Bloqueá-lo deve afetar a descida, não a subida.

Procedimento

  1. Restaure os padrões. Zere o bloqueio de sódio.
  2. Dispare o controle.
  3. Aplique 40% de bloqueio de K⁺ e dispare. Depois 70% e 90%.
  4. Preste atenção ao tempo que a curva leva para voltar à linha de base, e ao valor mínimo que ela atinge depois do pico.

Registro

Bloqueio K⁺ Pico (mV) Duração (ms) Houve hiperpolarização?
0% (controle)
40%
70%
90%

Para responder

  1. O bloqueio de potássio alterou o pico? E a velocidade de subida? Explique por quê.
  2. Observe as duas curvas de condutância no controle. Elas sobem juntas? Qual atrasa em relação à outra, e qual a consequência funcional desse atraso?
  3. No controle, a curva desce abaixo do potencial de repouso antes de voltar. Como se chama esse fenômeno e por que ele acontece?
  4. Um paciente com hipercalemia grave tem alteração da excitabilidade. Com base no que você viu, o que aconteceria com a repolarização?
04 Por que o neurônio precisa de pausa +

Pergunta central

Se um estímulo acima do limiar sempre dispara um potencial de ação, existe alguma situação em que o mesmo estímulo não dispara?

Procedimento

  1. Restaure os padrões e ative Segundo pulso.
  2. Comece com intervalo de 3 ms e dispare.
  3. Aumente o intervalo de 1 em 1 ms, disparando a cada vez, até que o segundo pulso produza um potencial de ação igual ao primeiro.
  4. Anote dois valores: o menor intervalo em que aparece alguma resposta, e o menor em que a resposta é completa.

Registro

Achado Intervalo (ms)
Nenhuma resposta ao 2º pulso
Resposta parcial (menor que a 1ª)
Resposta completa

Para responder

  1. Nomeie os dois períodos que você acabou de delimitar experimentalmente.
  2. Qual porta do canal de sódio explica a ausência total de resposta nos intervalos curtos?
  3. Com intervalo intermediário, o segundo potencial é menor. Um estímulo mais forte consegue torná-lo completo? Teste e explique a diferença entre os dois períodos.
  4. Calcule a frequência máxima de disparo deste neurônio, em hertz, a partir do menor intervalo com resposta completa.
  5. Por que essa limitação é útil? O que aconteceria com a condução se não existisse período refratário?
Síntese: o que levar desta prática +

Escreva um parágrafo, com suas palavras e citando pelo menos três dos seus próprios dados, respondendo: por que o potencial de ação tem essa forma e não outra?

Use o botão Salvar imagem do simulador para anexar os traçados ao seu relatório. A imagem já sai com todos os parâmetros registrados na legenda, o que documenta as condições de cada experimento.

Para ir além

O controle de temperatura reproduz um achado curioso: acima de cerca de 25 °C o axônio de lula para de disparar, mesmo com estímulo forte. Investigue o que acontece com as condutâncias nessa condição e proponha uma explicação.