Glicose e Insulina

ENDOLAB Glicose e insulina

Modelo de Sturis e Tolic · alça fechada com atraso hepático

Grade

Cada cenário move os quatro parâmetros abaixo. Depois de escolher um, mexa nos controles para descobrir qual deles é responsável por qual parte do achado.

Dose75 g

O teste padrão usa 75 g. A absorção intestinal é um submodelo, ajustado para reproduzir a forma da curva normal.

Duração do registro240 min
Sensibilidade periférica 100%

Quanta glicose o músculo e o tecido adiposo captam para cada unidade de insulina. Reduzir é resistência insulínica.

Célula beta 100%

Capacidade máxima de secreção. Acima de 100% é a compensação que mantém a glicemia normal por anos.

Supressão hepática 100%

Quanto o fígado obedece à insulina e desliga a produção. Resistência hepática é independente da periférica.

Produção hepática basal 100%

É o que mais determina a glicemia de jejum. Por isso o jejum sobe antes de a curva pós-carga piorar muito.

Atraso da ação hepática 36 min

Este é o parâmetro que gera a oscilação. Diminua muito e ela desaparece; aumente e o período estica.

Meia-vida da insulina 6 min

Depuração plasmática. Reduzida na insuficiência renal e no fígado gorduroso.

Em “lento”, cada segundo de tela vale 30 minutos de modelo. Serve para ver a insulina subir depois da glicose e a glicose só cair depois da insulina.

Fundo

Passe o cursor sobre o gráfico (ou toque, no celular) para ler glicose, insulina, produção hepática e captação no mesmo instante. As faixas coloridas marcam pré-diabetes e diabetes.

Glicose Insulina Produção hepática Captação
Jejum
Insulina jejum
HOMA-IR
Pico glicêmico
Glicemia 2 h
Período oscilação
Escolha um cenário ou ajuste os controles e clique em Simular. O jejum é recalculado a cada simulação: o modelo encontra sozinho o equilíbrio daqueles parâmetros.

Roteiro de prática

A alça da glicose: por que ela oscila, e por que ela falha

Duração estimada: 50 a 60 minutos · Pré-requisitos: conceito de retroalimentação negativa e leitura de uma curva de sobrecarga oral de glicose

Antes de começar

Tudo o que o simulador faz cabe em uma frase de balanço:

variação da glicose = aporte + produção hepática − captação

A insulina não aparece nessa equação porque ela não consome glicose. Ela age nos dois últimos termos: aumenta a captação pelo músculo e pelo tecido adiposo, e desliga a produção do fígado. São dois efeitos separados, em dois órgãos diferentes, e um pode falhar sem o outro.

O que costuma confundir: quase todo mundo imagina a insulina agindo no instante em que sobe. Ela não age. O efeito sobre o fígado leva dezenas de minutos para se instalar, e é dessa demora que sai boa parte do comportamento que você vai observar. Guarde esta pergunta para o fim: um sistema que corrige com atraso pode ficar parado no alvo?

1 Existe um relógio no pâncreas?

Hipótese a testar

A insulina é secretada em pulsos porque existe um marca-passo no pâncreas. Se essa hipótese estiver certa, mudar a velocidade com que a insulina age no fígado não deve alterar o ritmo dos pulsos.

Procedimento

  1. Clique em Normal nos cenários.
  2. Em Prova, escolha Infusão contínua. A duração do registro muda sozinha para 900 minutos.
  3. Deixe a taxa de infusão em 216 mg/min e clique em Simular.
  4. Anote o período da oscilação, no último card, e estime a amplitude passando o cursor sobre um pico e sobre um vale vizinhos.
  5. Agora mexa apenas no atraso da ação hepática: 15, 36, 50 e 70 minutos. Simule uma vez para cada valor.

Tabela de registro

Atraso (min) Período (min) Glicose no pico (mg/dL) Glicose no vale (mg/dL) Amplitude (mg/dL)
15
36
50
70

Para responder

  1. O período mudou quando você mexeu no atraso? Em que sentido?
  2. Com atraso de 15 minutos, o que aconteceu com a amplitude? Ainda dá para chamar aquilo de oscilação?
  3. Nenhuma linha do modelo manda a insulina pulsar. De onde saiu o ritmo, então?
  4. Um termostato que só liga o aquecedor meia hora depois de sentir frio consegue manter a sala numa temperatura fixa? Descreva o que ele faz.
  5. Se numa dosagem seriada de insulina de um paciente você encontrar valores muito diferentes com dez minutos de intervalo, isso é erro de laboratório?
2 Quem tem mais insulina: o doente ou o saudável?

Hipótese a testar

Quanto pior o diabetes tipo 2, mais alta a insulina, porque o corpo tenta compensar a glicemia elevada.

Procedimento

  1. Volte a Prova para Sobrecarga oral de glicose, 75 g.
  2. Rode os quatro cenários em ordem: Normal, Resistência compensada, Pré-diabetes, Diabetes tipo 2.
  3. Para cada um, anote os cinco números dos cards.
  4. Em Resistência compensada, olhe só a glicemia de jejum e responda: esse paciente seria detectado num exame de rotina?

Tabela de registro

Cenário Jejum Insulina de jejum HOMA-IR Pico 2 horas
Normal
Resistência compensada
Pré-diabetes
Diabetes tipo 2

Para responder

  1. Em qual cenário a insulina de jejum foi mais alta? E em qual a glicemia foi mais alta? As duas respostas coincidem?
  2. A hipótese do início sobreviveu? Reescreva-a de modo que fique correta.
  3. O HOMA-IR usa glicose e insulina no mesmo cálculo. Explique por que ele sobe na resistência compensada, onde a glicemia ainda está normal.
  4. Se um serviço de saúde rastreia diabetes apenas com glicemia de jejum, qual dos quatro pacientes ele deixa passar? Quantos anos, na vida real, esse paciente pode ficar sem diagnóstico?
  5. Do ponto de vista do mecanismo, o que precisou acontecer para o paciente sair de “resistência compensada” e chegar a “diabetes tipo 2”? Não responda com um valor de glicemia.
3 De onde vem a glicose de quem está em jejum?

Hipótese a testar

A glicemia de jejum é alta porque o músculo não está captando glicose. Logo, melhorar a sensibilidade periférica deve corrigi-la.

Procedimento

  1. Comece em Normal.
  2. Reduza a sensibilidade periférica para 30% e simule. Anote a glicemia de jejum.
  3. Volte a sensibilidade para 100% e agora aumente a produção hepática basal para 160%. Simule e anote.
  4. Volte a produção para 100% e reduza a supressão hepática para 40%. Simule e anote.
  5. Em cada rodada, use o cursor sobre o painel de fluxos e leia a produção hepática no minuto zero, antes de a carga chegar.

Tabela de registro

Alteração isolada Glicemia de jejum Produção hepática no minuto 0 Glicemia 2 horas
Nenhuma (normal)
Sensibilidade periférica 30%
Produção hepática 160%
Supressão hepática 40%

Para responder

  1. Qual das três alterações mudou mais a glicemia de jejum? E qual mudou mais a glicemia de 2 horas?
  2. Explique por que uma coisa pode piorar sem a outra.
  3. Em jejum não há aporte externo nenhum. Se a glicemia se mantém em 90 mg/dL, quem está colocando glicose no sangue?
  4. A metformina age principalmente reduzindo a produção hepática de glicose. Com base na sua tabela, em qual das duas medidas (jejum ou 2 horas) você espera ver o maior efeito dela?
  5. Resistência hepática e resistência periférica são controles separados neste simulador. Isso é uma simplificação do modelo ou corresponde a algo real? Justifique com o que você observou.
4 Por que o tipo 1 não responde ao mesmo tratamento do tipo 2

Hipótese a testar

Melhorar a sensibilidade à insulina ajuda qualquer diabético, porque em todo diabetes a glicose está sobrando no sangue.

Procedimento

  1. Escolha o cenário Diabetes tipo 1.
  2. Sem mexer em mais nada, leve a sensibilidade periférica de 100% para 200%. Simule e anote.
  3. Agora devolva a sensibilidade para 100% e aumente a célula beta de 2% para 30%. Simule e anote.
  4. Repita os dois passos partindo do cenário Diabetes tipo 2.

Tabela de registro

Ponto de partida Intervenção Jejum antes Jejum depois 2 h depois
Tipo 1Sensibilidade 200%
Tipo 1Célula beta 30%
Tipo 2Sensibilidade 200%
Tipo 2Célula beta 30%

Para responder

  1. No tipo 1, dobrar a sensibilidade resolveu? Por quê?
  2. Uma via de sinalização precisa de duas coisas para funcionar. Quais são, e qual delas falta no tipo 1?
  3. No tipo 2, as duas intervenções ajudaram? Alguma ajudou mais?
  4. Com base nisso, explique por que insulina exógena é obrigatória no tipo 1 e apenas às vezes necessária no tipo 2.
  5. Um medicamento que estimula a célula beta a secretar mais insulina funcionaria em qual dos dois? E o que acontece com ele quando a célula beta se esgota ao longo dos anos?
5 Quem chega primeiro: o pico da glicose ou o da insulina?

Pergunta central

Se a insulina é secretada em resposta à glicose, os dois picos deveriam coincidir. Coincidem?

Procedimento

  1. Cenário Normal, sobrecarga oral de 75 g.
  2. Em Varredura, escolha Lento e clique em Simular. Acompanhe os três painéis ao mesmo tempo.
  3. Use o botão Pausar no instante em que a glicose atinge o ponto mais alto. Leia os quatro valores na caixa do cursor.
  4. Continue a varredura e pause de novo no pico da insulina. Anote o tempo.
  5. Por fim, pause no momento em que a captação (linha verde) cruza a produção hepática (linha laranja).

Tabela de registro

Evento Tempo (min) Glicose Insulina Produção Captação
Pico da glicose
Pico da insulina
Captação cruza a produção
Glicose volta ao basal

Para responder

  1. Qual pico veio primeiro, e com quantos minutos de diferença?
  2. No instante do pico da glicose, a insulina já estava subindo ou já estava caindo? O que isso diz sobre quem estava no comando naquele momento?
  3. A glicose começa a cair exatamente quando a captação ultrapassa a produção. Explique essa frase usando a equação de balanço do início do roteiro.
  4. A insulina continua alta depois que a glicose já voltou ao normal. Por que ela não desliga junto? O que aconteceria se desligasse?
  5. Alguns pacientes apresentam hipoglicemia duas a três horas após a refeição. Com o que você acabou de observar, proponha um mecanismo.

Síntese

Escreva, com suas palavras e sem consultar o roteiro, o caminho de raciocínio que leva de “este paciente tem glicemia de jejum de 130 mg/dL” até “o mecanismo provável é este”. Seu texto precisa passar por três perguntas, nesta ordem:

  1. A insulina está alta, normal ou baixa?
  2. Se está alta, por que ela não está funcionando? Se está baixa, por que ela não está sendo produzida?
  3. O problema aparece mais no jejum ou depois da refeição, e o que cada uma dessas duas situações diz sobre qual órgão está falhando?

Guarde esse texto. Ele é o roteiro que você vai usar diante de um exame real, e vale mais do que a tabela de valores de corte, que você pode consultar a qualquer momento.

Para ir além

No experimento 1 você viu que um sistema com atraso não fica parado no alvo: ele oscila em torno dele. Agora pense no sentido contrário. A oscilação é apenas um defeito inevitável, ou ela serve para alguma coisa? Procure o que se sabe sobre a resposta do receptor de insulina à exposição pulsátil comparada à exposição contínua, e pergunte-se por que a infusão contínua de insulina em uma bomba não reproduz exatamente a fisiologia do pâncreas.

Modelo. Sturis J, Polonsky KS, Mosekilde E, Van Cauter E. Computer model for mechanisms underlying ultradian oscillations of insulin and glucose. Am J Physiol. 1991;260(5):E801-E809. Reformulado em Tolic IM, Mosekilde E, Sturis J. Modeling the insulin-glucose feedback system. J Theor Biol. 2000;207(3):361-375. Dois parâmetros foram recalibrados para que o estado de jejum caísse na faixa normal, porque os valores publicados foram ajustados para experimentos de infusão contínua. O período das oscilações não se alterou com esse ajuste. A absorção intestinal da sobrecarga oral é um submodelo acrescentado, e os cenários de doença são perturbações escolhidas para cair nas faixas diagnósticas, não um modelo de diabetes validado à parte.