Ritmos, Vigília e Ativação Cortical
NEUROLAB Ritmos, vigília e ativação cortical
Três canais aminérgicos disputando um interruptor
Cada um é um núcleo real, com farmacologia própria. Todos empurram o mesmo lado do interruptor, mas com efeitos diferentes sobre atenção e REM.
O canal do alerta e da atenção sustentada. Silencia no REM. Subir aqui é o efeito de estimulantes.
Vigília tônica, também silencia no REM. Sustentá-lo suprime o REM, que é a assinatura conhecida dos antidepressivos serotoninérgicos.
Desliga no sono. Bloqueá-lo é o que torna sedativos os anti-histamínicos de primeira geração.
Excita os três canais e estabiliza o interruptor. A perda dela é o mecanismo da narcolepsia.
Reforça a inibição do VLPO sobre a vigília. É o benzodiazepínico: age do outro lado da alça, não nos canais aminérgicos.
Bloqueia o efeito da adenosina sem reduzir o acúmulo dela. A dívida de sono não some, só fica escondida.
Meia-vida de cerca de 5 horas. Compare a mesma dose de manhã e à noite.
A faixa azul marca os períodos de sono; a faixa verde, dentro dela, marca o REM. Passe o cursor sobre o gráfico para ler o estado e os índices no mesmo instante. A curva do desempenho atencional é interrompida durante o sono de propósito: atenção exige tarefa e resposta para ser medida, então ali ela não é baixa, é indefinida.
Interruptor vigília-sono na linhagem de Saper, Scammell e Lu (Nature, 2005), com o lado da vigília desmembrado em três canais aminérgicos de ganho independente. Processo S e processo C na forma de Borbély e Achermann. Dois limites declarados: a cadência de cerca de 90 minutos do ciclo REM é imposta por um oscilador interno, não emergente da disputa aminérgico-colinérgica como na fisiologia real (a amplitude e a supressão do REM pela farmacologia, essas sim, são fisiológicas); e o sono do modelo normal dura cerca de 9,5 h, mais que a média adulta de 7 a 8 h. A direção de todos os efeitos está correta; as durações absolutas são aproximadas. Os cenários farmacológicos são perturbações escolhidas para reproduzir padrões clínicos conhecidos, não modelos de cada fármaco validados à parte. Sobre o desempenho atencional: ao contrário do restante do modelo, cuja estrutura vem da literatura, este índice é uma construção heurística deste simulador. Os dois ingredientes têm respaldo (o papel do locus coeruleus na atenção, na teoria do ganho adaptativo de Aston-Jones e Cohen, Annu Rev Neurosci 2005; e a degradação do desempenho pela pressão homeostática acumulada), mas a fórmula que os combina e os coeficientes são escolha nossa, e não reproduzem nenhum conjunto de dados publicado. Use-o para comparar cenários entre si, não como valor absoluto.
Roteiro de prática
Três canais, um interruptor, farmacologias diferentes
Duração estimada: 50 a 60 minutos · Pré-requisitos: noção de retroalimentação e de neurotransmissores centrais
Antes de começar
Vigília e sono não são dois pontos de um dimmer: são dois lados de um interruptor que se inibem mutuamente. De um lado, o VLPO, GABAérgico, promotor do sono. Do outro, não um núcleo, mas três:
locus coeruleus (NA) · núcleos da rafe (5HT) · tuberomamilar (histamina)
Os três empurram o mesmo lado do interruptor, e por isso qualquer um deles sustenta a vigília. Mas eles não são intercambiáveis: têm efeitos diferentes sobre atenção e sobre REM, e é essa diferença que separa um estimulante de um sedativo de um antidepressivo. A orexina, vinda do hipotálamo lateral, excita os três e é o que impede o interruptor de oscilar sozinho.
O que costuma confundir: tratar “acordado” como uma coisa só. Uma pessoa sob anti-histamínico e uma sob estimulante estão as duas acordadas, e mesmo assim seus cérebros estão em estados muito diferentes. Este roteiro existe para você medir essa diferença em vez de assumir que ela não existe.
1 Dois jeitos de ficar acordado não são o mesmo estado
Hipótese a testar
Se os três canais sustentam a vigília, reforçar qualquer um deles deveria produzir aproximadamente o mesmo efeito sobre o estado do cérebro.
Procedimento
- Rode Normal e anote os seis cards.
- Rode Estimulante (noradrenérgico a 180%) e anote os mesmos.
- Rode Serotoninérgico (rafe a 180%) e anote de novo.
- Compare especificamente a atenção diurna dos dois: os dois reforçam um canal de vigília na mesma proporção.
Tabela de registro
| Cenário | Sono | REM | Ativação cortical | Atenção diurna |
|---|---|---|---|---|
| Normal | ||||
| Estimulante (NA) | ||||
| Serotoninérgico (5HT) |
Para responder
- Os dois reforços produziram o mesmo efeito sobre a atenção? A hipótese do início sobreviveu?
- Os dois suprimiram o REM de forma parecida. Por que isso acontece, se os canais são de neurotransmissores diferentes? Procure no texto de ajuda o que os dois têm em comum.
- Se você só tivesse o dado de “quantas horas a pessoa dormiu”, conseguiria distinguir os dois cenários? E com o dado de atenção?
- Um paciente em uso de antidepressivo serotoninérgico se queixa de sonhos estranhos e de acordar cansado, mas dorme o número de horas de sempre. Que achado deste simulador você usaria para explicar isso a ele?
2 Dormir mais não é o mesmo que descansar melhor
Pergunta central
Três formas de aumentar o tempo de sono: bloquear histamina, reforçar o GABA, ou perder orexina. Elas deixam a pessoa no mesmo estado no dia seguinte?
Procedimento
- Rode Anti-H1 sedativo, Benzodiazepínico e Orexina baixa, anotando os cards de cada um.
- Compare os três entre si e com o Normal.
- Preste atenção especial em duas colunas: a ativação cortical e a atenção diurna.
Tabela de registro
| Cenário | Sono | Ativação cortical | Atenção diurna | Onde a alça foi mexida |
|---|---|---|---|---|
| Normal | ||||
| Anti-H1 sedativo | ||||
| Benzodiazepínico | ||||
| Orexina baixa |
Para responder
- Os três aumentaram o tempo de sono. Algum deles melhorou a atenção do dia seguinte?
- O benzodiazepínico age do outro lado da alça, reforçando a inibição do VLPO em vez de enfraquecer um canal de vigília. Isso apareceu como alguma diferença nos números, ou o resultado foi indistinguível do anti-histamínico?
- A orexina baixa foi o caso com pior atenção. Por que perder o estabilizador do interruptor é diferente de simplesmente enfraquecer um dos canais?
- Complete a frase, usando os dados: tempo de sono e qualidade do estado de vigília são …, e a evidência disso neste simulador é ….
- Um paciente pede um remédio “para dormir mais e render mais no trabalho”. Com base no que você mediu, o que você responderia sobre essa expectativa?
3 A cafeína não paga a dívida, só esconde a fatura
Hipótese a testar
A cafeína reduz o cansaço, então ela deve reduzir a pressão do sono acumulada ao longo do dia.
Procedimento
- Rode Normal e olhe com atenção o painel de baixo: a curva laranja é a adenosina, que é a pressão do sono. Anote o formato dela.
- Rode Café de manhã. Compare a curva laranja com a do Normal. Ela mudou de formato?
- Passe o cursor sobre o gráfico às 10h e depois às 20h, anotando adenosina e atenção nos dois instantes.
- Rode Café à noite e compare o horário de início do sono com o do Normal.
Tabela de registro
| Momento | Cafeína | Adenosina | Atenção |
|---|---|---|---|
| 10h (café de manhã) | |||
| 20h (café de manhã) | |||
| 20h (sem café) | zero |
Para responder
- A curva da adenosina mudou de formato com a cafeína? A hipótese do início sobreviveu?
- Se a adenosina não muda, o que exatamente a cafeína faz? Descreva o mecanismo com suas palavras, usando as palavras “receptor” e “efeito”.
- Entre 10h e 20h, no cenário com café, a atenção caiu enquanto a adenosina subiu. Explique por que a queda foi mais acentuada do que teria sido sem café.
- Isso tem nome popular. Que fenômeno cotidiano do consumo de café este mecanismo explica?
- O café à noite atrasou o início do sono. Sabendo que a meia-vida da cafeína é de cerca de cinco horas, calcule aproximadamente quanto do efeito ainda restaria na hora de deitar se a dose fosse às 16h.
4 Por que o EEG do REM se parece com o de quem está acordado
Pergunta central
Se a pessoa está profundamente adormecida durante o REM, por que o córtex dela está tão ativado quanto na vigília?
Procedimento
- No cenário Normal, olhe o painel do meio. A linha roxa é a ativação cortical.
- Compare o valor dela durante a vigília, durante o sono fora das faixas verdes, e durante as faixas verdes (que marcam o REM).
- Passe o cursor dentro de uma faixa verde e depois logo fora dela, anotando os valores.
Para responder
- Ordene os três estados por ativação cortical, do maior para o menor: vigília, sono não-REM, sono REM.
- Durante o REM, os canais aminérgicos estão silenciados. Então de onde vem a ativação cortical nesse estado? Procure na descrição do modelo qual população assume.
- Um exame de EEG isolado, sem outros canais de registro, conseguiria distinguir com segurança vigília de sono REM? O que mais a polissonografia registra para resolver essa ambiguidade?
- Nos cenários serotoninérgico e estimulante, o REM diminuiu. Isso deveria aumentar ou diminuir a ativação cortical média do registro inteiro? Confira sua previsão nos cards.
Síntese
Escreva, sem consultar o roteiro, a resposta a esta pergunta: “por que existem tantos remédios diferentes que mexem no sono, se todos eles poderiam simplesmente aumentar ou diminuir uma coisa só?” O texto precisa conter:
- Por que o interruptor tem três canais de vigília em vez de um.
- Um exemplo de dois fármacos que aumentam o sono por vias diferentes, e como distinguir um do outro pelos dados.
- Por que a cafeína não pertence a nenhuma dessas duas categorias.
- O que o índice de atenção mede que o tempo de sono não mede.
Para ir além
Este simulador trata cada canal como um número único de ganho, mas na farmacologia real o que muda é a ocupação de receptores específicos, e um mesmo fármaco costuma agir em vários ao mesmo tempo. Um antidepressivo tricíclico, por exemplo, mexe simultaneamente em recaptação de noradrenalina, de serotonina e em receptores histaminérgicos. Tente reproduzir esse perfil combinando os controles, e compare com o que acontece quando você mexe em um canal só. Depois procure o que são os antagonistas do receptor de orexina, uma classe de hipnóticos mais recente, e pense em qual controle deste simulador corresponderia a eles.
Modelo. Interruptor vigília-sono por inibição recíproca, na linhagem de Saper CB, Scammell TE, Lu J (Nature. 2005;437:1257-1263), com o lado da vigília desmembrado em três canais aminérgicos de ganho independente. Padrões de disparo por estado (locus coeruleus e rafe tônicos na vigília e silenciosos no REM; tuberomamilar desligando no sono) conforme a literatura de neurofisiologia dos sistemas de despertar. Processo S e processo C na forma de Borbély AA e Achermann P. O processo S corresponde ao acúmulo de adenosina no prosencéfalo basal, e o modelo da cafeína reproduz o bloqueio do efeito sem redução do acúmulo. Dois limites declarados: a cadência de cerca de 90 minutos do ciclo REM é imposta por um oscilador interno, não emergente da disputa aminérgico-colinérgica como na fisiologia real, embora a amplitude e a supressão farmacológica do REM sejam fisiológicas; e o sono do modelo normal dura cerca de 9,5 h, mais que a média adulta. Os cenários farmacológicos são perturbações escolhidas para reproduzir padrões clínicos conhecidos, não modelos de cada fármaco validados separadamente contra dados de pacientes.
